Marrocos

written by Hellen Grasso março 14, 2013

Existem lugares que não precisam ser nem um pouco de glamour para nos inspirar e foi assim a minha ida para o Marrocos. Foi uma das viagens mais loucas que já fiz, por milhares de acontecimentos, vou contar para vocês:

Eu e minha amiga Renata tínhamos planejado ir para o Marrocos de uma hora para a outra, ate aí tudo bem, compramos o ticket e lá fomos…
Ficamos na Medina, onde é o centro de Marrakesh, as pessoas comem com as mãos e todo restaurante ao invés de colocarem pratos, eles colocam uma espécie de papel na mesa. Um dos chás mais gostosos que já tomei foi lá. Mulheres não podem sair desacompanhadas pela noite, e se tu tiver usando uma jeans e uma camisetona os olhos dos marroquinos paracem que vão te engolir, então cuidado. Fomos para o deserto do Saara onde ficamos no meio do nada, só que antes de chegar no tal esperado deserto, passamos por várias montanhas de gelo até chegar nos milhares de grãos de areia. O sentimento de olhar para um lado e para o outro e não ver absolutamente nada, é incrível e só então percebemos que não somos nada diante desse Universo imenso…

Nossa passagem estava marcada para passar apenas 3 dias, mas como estava nevando muito em Londres todos os vôos foram cancelados durante 4 dias, ou seja, ficamos uma semana lá, até aí tudo bem, só que tinham bloqueado o meu cartão e o da minha amiga também, consequência: sem um tostão no bolso, apenas com chocolate, roupa do corpo, malas e muitas aventuras. Fomos pedir para ficar no hotel de graça (conseguimos!) e ainda ficamos na cobertura com todas as mordomias, aproveitando que a sorte estava ao nosso lado, achamos um pouco de dinheiro que tínhamos na mala e decidimos ir viajar para Fes (onde foi gravado a novela O Clone). Perguntamos quantas horas eram de Marrakesh para Fes e a moça da bilheteria disse que eram apenas 2 horas, mas ela não falava inglês direito e eu só sabia dizer: “Inshalá” em árabe (o que fez muita gente se aproximar a achar que eu falava árabe rs rs rs). Dentro do trem descobrimos que eram 9 horas até nosso destino final….
Só então percebemos que se não tínhamos mais dinheiro, onde íriamos ficar? Foi então que surgiu uma brilhante ideia de pedir para ficar na casa de alguém que estivesse no mesmo vagão que estávamos (não, não tínhamos muita noção do que era estar indo para um lugar onde não sabíamos), mas enfim conhecemos uma menina muito fofa no trem e pedimos para ficar na casa dela, e ela ligou para mãe avisando (na verdade eu acho que ela também não tinha muito noção do que era abrigar estrangeiras das quais ela não sabia nem o nome). Chegamos na casa dela e ela nos abrigou com o maior carinho possível, nos levou para visitar todos os pontos turísticos e nos comunicamos em gestos durante 2 dias de estadia. Conhecemos a cidade dos couros, onde são tingidos por bacias de barros nos tetos das casas (o cheiro é horrível), compramos o famoso Djellaba que são as roupas que as mulheres e homens vestem e penchichamos muito para comprar presentinhos. Aí tu deve estar se perguntando como, se não tínhamos dinheiro. Ah rá! Eis que vem a criatividade, um celular velho foi trocado por brincos, um colar por lenços e o bracelete da minha amiga virou pagamento do táxi, fizemos um escambo jamais visto pelo Marrocos e também muitas gargalhadas.. Conhecemos onde foi gravado o filme “O Gladiador” que é um castelo todo feito de barro, cuidado se forem subir, nunca subam sozinhas se forem só mulheres, tem uns homens de cavalo muito estranhos por lá que aparecem do nada.

Na volta da viagem estávamos nos sentindo as próprias marroquinas. Nossa nova amiga nos disse para tomar cuidado nos vagões que não tem ninguém, pois nosso ticket era de madrugada. Então tivemos a brilhante ideia de colocar nossos djellaba, um lenço nos olhos e fingir que estavamos lendo jornal, uma de frente para a outra (para nos comunicarmos fizemos um buraco no meio do jornal para conversar, assim ninguém desconfiaria).
Uma sombra masculina passou umas 4 vezes pelo nosso vagão e então trememos de medo, ele entrou e sentou ao lado da minha amiga, e então perguntou em inglês rindo “Vocês não são daqui não é?” e dissemos a verdade, mas perguntamos como ele descobriu e ele disse: “Na verdade eu fiquei com medo de entrar aqui, pois eu vi duas mulheres de djellaba, mas usando all star, lendo o jornal de cabeça para baixo e ainda com o furo no meio do jornal” Foi aí que caímos na risada e ele explicou que o jornal deles são escrito da esquerda pra direita e aqueles rabiscos todos não entendíamos nada…

Se precisarem de alguma dica podem me perguntar, porque depois de tantas aventuras tou PhD nesse negócio….

Beijooooocas xxx

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